O Sertanejo

Da  soleira do casebre ele olha o céu
Uma esperança sente em seu coração,
De vê cair à chuva em grossos pingos
E encher o riacho, a Deus pede proteção.

 Os dias passam, o sertanejo entristece
O milho que plantou já todo secou,
Sua cabra de leite, sem pasto se foi
Morreu de fome, só a carcaça restou.

A procura de calango sai, para assar
Pés calejados, sol quente, ele a buscar,
Quem sabe se no dia seguinte, ele pensa
A chuva vem e tudo vai melhorar.

Toda a sua vida ali viveu, não quer deixar
A terra é ressequida, mas é tudo seu,
Como ir, para onde, nesse mundo de Deus?
E deixa-se ficar a espera, nem sabe de que.

O cacto restante serve de alimento
Por mais um dia, espera confiante,
Nessa noite ele sonha que ao raiar do dia
A chuva benfazeja, é certo, vai chegar.

Um estrondo logo cedo o despertou
Uma chuva como nunca viu, caiu,
Agradecido a Deus e ao Padim Pade Ciço
Ajoelha-se no chão de barro, chora e reza.

Sim, ouviu o barulho da chuva caindo
Sentiu o cheiro da terra seca, molhada, 
O amor se fez mais forte, falou com emoção:
Não vou te deixar meu sertão, minha terra amada.

Esta poesia é integrante do Livro  Alumiar ( 2010) 




Onde está o amor ?

Onde está o amor? alguns perguntam
E não  param para refletir,
Que o amor está dentro de nós
E temos que deixá-lo fluir. 

O amor  está nos " nossos olhos " 
Quando comtemplamos  a natureza,
E bendizemos a bondade do Criador
Que nos deu a visão com clareza.

O amor está na " nossa voz " 
Quando a elevamos numa terna  canção,
Louvando ao nosso Pai, ao nosso Deus
Que nos dá tanta paz  no coração.

O amor está nos " nossos ouvidos " 
Quando quietinhos ficamos a escutar,
O desabafo sofrido de um amigo
Que em nós confia e vem nos falar. 
 
O amor está nos " nossos pés " 
Quando se encaminham aos hospitais,
Aos orfanatos, aos asilos, às prisões
levando a esperança aos que não têm mais. 

O amor está nas " nossas mãos " 
Quando as estendemos  para auxiliar,
Os carentes, os desvalidos
Com a finalidade só de  ajudar. 

O amor está no " nosso coração " 
Que sofre, e sente pelo irmão, 
O amor puro desinteressado
Que só visa a paz, a fé, a união.

Esta poesia é integrante  do Livro O Voo do Condor ( 2004 )

Orgulho

O homem  orgulhoso por qualquer motivo
Descontrola-se, é tomado pela cólera,
Basta não ver seus desejos  satisfeitos
Transforma-se num ser abjeto na mesma hora.

O homem orgulhoso só pensa em si 
Aos seus semelhantes ele não dá valor,
Alimenta  sempre, sempre, a vaidade
Em todos que estão próximos lhes causa dor. 

Irmão, um bom conselho vou te dar
Procura o orgulho, aos poucos, eliminar, 
Extrai esse vício, toda essa prepotência
E deixa a humildade e o amor penetrar. 

Peça ajuda, em prece, à  espiritualidade
E a energia virá com a feliz ajuda, 
Da transformação do homem outrora orgulhoso
Em um ser de bondade, que quando quer muda.

Portanto irmão depende muito de ti 
Lutar para conquistar  esse sentimento, 
Sei que tens força, é só perseverar
Com firmeza, conseguirás  teu intento.

Esta poesia é integrante do Livro O Voo do Condor ( 2004 )

O Retirante

O riacho secou e virou estrada
A chuva esperada há muito não vem, 
O nordestino confia, "ergue o olhar" em prece
Pedindo que venha, esperança ainda tem. 


Mas o Sol inclemente, tudo extermina
As plantas, o gado, já não resta nada,
O nordestino confia, "ergue a voz" em prece
Pai Amoroso ajude, estou sob a vossa guarda. 


Dia após dia, a comida escasseia
Assiste impotente os filhos a chorar com fome, 
O nordestino confia, "ergue as mãos" em prece
Piedade Pai, olha por nós, em vosso nome. 

Um ano se passa e a chuva não vem 
Seu gado morreu, sua barriga murchou, seu olhar
entristeceu, 
Como abandonar a terra tão querida
E deixar para trás tudo que é seu?


Olha seus filhos que são só  pele e osso 
Chama a mulher que tem outro no bucho,
Murmura baixinho, sentindo vergonha  no falar
Vamos embora, derrota não é coisa pra macho. 


E assim começa a longa caminhada
Naquela terra não se vê uma viva alma, 
Calor  escaldante, passos trôpegos vão andando
 E a cada passo, a cabeça rodopia, traz calma. 


Mais uns dias  naquela andança e ele deixa 
Dois filhos debaixo de uma cova rasa,
E segue sem chorar, o coração virou pedra
Calado, cabisbaixo, junto a mulher, em busca de mata.


Ás vezes tem visões onde ele vê 
Muita comida, fartura sem igual, 
Cachoeira, muita água escorrendo
Um campo verde, um extenso matagal. 


Caminhando sem destino, mais adiante
Vê a mulher de barriga, desfalecer, 
E sem ânimo , sem poder levantá-la
Fica a seu lado, assistindo-a  morrer.


Sozinho recomeça, o coração sangrando
A goela seca, faz com que fique mudo, 
De  revolta, de dor, sua mente trabalha
Terá alguém mais infeliz que eu nesse mundo? 


Eis que de repente, sente um leve toque
Alguém ali pertinho, vem lhe ajudar,
Afaga-lhe a cabeça e sua sede sacia
Vem irmão,vim para te levar, vem descansar.


Sente-se leve de repente, o corpo flutuando
Como se lhe tirassem uma carga pesada, 
O nordestino olha em torno, vê sua família 
Que vem abraçá-lo, na Pátria espiritual amada.


Depois de uns dias ele é esclarecido 
Por que motivo passou por prova tão cruel, 
Tinha que nascer no sertão do Nordeste e assim 
Saldar suas dívidas em taça de fel. 


Esta poesia é  integrante  do Livro O Voo  do Condor  ( 2004 )




Uma Reflexão

Encontrei  casualmente, há dias, com uma amiga que não via há muito tempo.Notei seu semblante abatido, uma tristeza no olhar, demonstrando grande depressão. 
Imediatamente senti que precisava  de ajuda. Procurei ouví-la  pacientemente  contar seus problemas e ela disse que sentia um vazio muito grande e não sabia como preenche-lo. Estava sem ânimo para nada, falou da violência que estava demais, da insegurança, do desamor  entre as pessoas, entre outras coisas, e que tudo isso a deixava  cada vez mais triste. 

Fiquei  calada, deixando-a falar e desabafar tudo aquilo  que a sua mente retinha e que a deixava tão mal, naquele estado. 
Após alguns minutos ela disse:

-Que bom falar com você. Precisava de alguém para me ouvir, estou sentindo-me  bem melhor, mais aliviada, mais leve. 

Sorri, abracei-a  e dei-lhe um conselho:
-Amiga, procure não pensar tanto em seus problemas  pessoais, entregue a Deus aqueles que você não encontra solução. Tenha fé e confiança e aguarde, a espiritualidade irá te ajudar intuindo o que deves fazer. Não te preocupes  tanto. 

Sobre a violência, a insegurança desse mundo , ore diariamente  pedindo proteção ao seu Anjo da Guarda  para si e ore também por seus familiares  para que os protejam e se sentirá mais calma e equilibrada. 

Minha amiga, quanto a esse vazio que você sente, ele só será preenchido quando você deixar de pensar só em si e começar a pensar nos seus semelhantes. 
Procure todos os dias ajudar alguém de alguma forma. Um sorriso, um bom-dia como cumprimento  servirão de ânimo e de esperança  para alguém que necessita de atenção. 

Estenda suas mãos em favor de alguém. Coloque seus ouvidos a escutar as pessoas  que necessitam  desabafar  seus problemas e procure orientá-las  na medida  do possível. 
Coloque sua voz, em serviço de divulgação, com palavras de fé, esperança  em dias melhores e assim estarás  colaborando  para tornar  outras pessoas  felizes. 

Assim amiga, conseguirás preencher  esse vazio  que hoje sentes e não encontrarás   " tempo ocioso" para pensar nos teus problemas. Colocando  essas  preocupações de lado, a vida voltará a ser alegre. 
O círculo de amigos aumentará, pois te tornarás  uma fonte de paz e de serenidade. Serás aquela a quem as pessoas  buscarão, sabendo  que encontrarão sempre a palavra da fé , da esperança e do amor fraterno. 
Segue esse conselho e com certeza  deixarás  a tristeza  de lado e te sentirás feliz. 


        Esta mensagem é integrante do Livro Mensagens Elucidativas  ( 2006)


 

MEU SONHO

Há dias em que fico pensativa
A imaginar a terra que acalento,
Talvez seja sonho, uma fugaz quimera
Querer tornar realidade esse meu intento. 


Seria um lugar, vou plasmando em minha mente
De paz, amor, saúde e felicidade,
As pessoas compartilhando umas com as outras
O pão, o chão, o teto, a caridade. 

Todas as crianças estariam na escola
Aprendendo a crescer, e também a dividir, 
Na evolução do ser, com destino infinito
Deixando o amor do seu íntimo fluir. 

Nessa terra não  haveria asilos
 Porque não seria necessário tal, 
Os jovens venerariam  seus idosos
Com carinho, lhe doariam a energia vital.

Aprisionar  irmãos em celas, por que razão?
Se todos se conduziriam com amor e respeito,
Seguindo as Leis de Deus e procurando
Entender dos irmãos, os seus direitos.

Mas, volto a mim. Oh! cruel realidade!
E desolada vejo que longe está, muito falta, 
Para que esse sonho afinal se concretize
No Brasil, minha terra, Pátria amada.


Esta poesia é integrante do Livro O Voo do Condor ( 2004)

Saudade

Saudade é um vazio dentro do peito
Um sentimento sofrido é grande dor,
Uma ausência  que é sempre lembrada
Recordando teu rosto com carinho e amor. 

Saudade da tua voz, do teu olhar, do teu sorriso
Que nas noites insones fico a pensar,
Desejando esquecer-te e ao mesmo tempo querendo
Relembrar momentos, alegrias, sempre a te buscar.

 
Oh! Dor cruel, dolorida, sentida e amarga
Quando poderei,um dia, de ti me livrar,
e sentir-me liberta dessas amarras tão fortes
que a tua imagem insiste em me acorrentar. 

Esta poesia é integrante do Livro O  Voo do Condor ( 2004)